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Juventude Pelo Clima: Jovens Indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais liderando a construção de futuros possíveis

Que tipos de conhecimentos precisamos para enfrentar a crise climática? Sabemos que uma ciência que apenas mede a destruição não é suficiente. Precisamos de conhecimentos que sejam capazes de dialogar com saberes indígenas, quilombolas, e tradicionais, dos povos que há séculos vem cuidando do nosso planeta. 

Os conhecimentos indígenas, quilombolas e tradicionais não são complementares à ciência climática: são formas vivas de produzir soluções, interpretar os sinais da Terra, proteger ecossistemas e construir caminhos coletivos diante da crise. O programa Juventude pelo Clima demonstrou a força desses saberes ancestrais no enfrentamento às mudanças climáticas, quando combinados a ação coletiva, comunicação entre territórios e liderança da juventude. 

Fruto de uma parceria entre a Cultural Survival e o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) o Juventude Pelo Clima foi um programa de capacitação de longo prazo do qual participaram 18 jovens de comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais da Amazônia Legal. Ao longo de uma jornada de um ano e meio, esses 18 jovens discutiram como as mudanças climáticas têm impactado seus territórios e como as tecnologias, os conhecimentos e as práticas tradicionais de suas comunidades podem contribuir para mitigar e se adaptar aos efeitos da crise climática.
 

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A primeira etapa do programa envolveu mais de 30 encontros semanais e um presencial, e resultou em uma formação teórica ao redor de temas climáticos e realidades comunitárias, articulando conhecimentos científicos, indígenas, quilombolas e de povos tradicionais da floresta. A partir desses saberes, cada um dos 18 participantes desenvolveu um Plano de Adaptação Climática para seu território, produzindo ao mesmo tempo um documentário curta-metragem sobre o processo de criação de cada plano.

O Juventude Pelo Clima equipou esses jovens líderes com ferramentas para buscar recursos para suas próprias iniciativas, desde o desenvolvimento de ideias e elaboração de notas conceituais, até a concepção de projetos, organização de orçamentos e produção de materiais de comunicação para divulgação. Alguns participantes já garantiram financiamento e vem implementando seus projetos em seus territórios.

Entre os meses de março e abril de 2026, esses mesmos 18 jovens indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais do Brasil lideraram uma série de webinários nos canais de comunicação da Cultural Survival. O ciclo de webinários Juventude pelo Clima veio como uma forma de celebrar, divulgar e internacionalizar as potentes iniciativas e visões de futuro desses jovens e de suas comunidades. No total, foram três sessões interativas que contaram com a participação de convidados internacionais e reuniram depoimentos de diferentes povos de dentro e fora do Brasil.

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Abordando a temática climática de forma holística e de acordo com cosmovisões tradicionais, os webinários foram construídos em torno de três eixos temáticos principais: fogo, água e biodiversidade. As trocas e conexões possibilitadas por esses encontros enriquecedores reforçaram o entendimento de que as lutas territoriais estão globalmente interligadas, e de que os jovens atuam como agentes ativos de mudança, ocupando cada vez mais espaços de decisão e comunicação. 

Os webinários também reiteraram que a preservação da floresta, da água e da biodiversidade dependem diretamente da proteção dos territórios tradicionais e de suas populações. Proteger territórios significa garantir a continuidade da vida. Territórios vivos são fundamentais para a construção de futuros possíveis, e a defesa deles é uma responsabilidade urgente e coletiva. 

Além dos webinários, realizamos em Brasília no dia 5 de junho de 2026, o evento de encerramento desse primeiro ciclo do programa Juventude Pelo Clima. O potente encontro presencial desses jovens líderes, que caminharam lado a lado por mais de um ano, contou com a presença das equipes da Cultural Survival e do IPAM, e com parcerias de outras organizações e de uma agência da ONU, fortalecendo ainda mais essa rede de jovens, territórios e futuros possíveis. 

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No evento foi lançado o livro Soluções Climáticas pelo Olhar de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais: Estudos de caso da iniciativa Juventude pelo Clima, realizado com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS) e do Environmental Defense Fund (EDF). O livro serve como um resumo e um produto final do programa, sendo o resultado de uma coautoria entre a equipe do IPAM e da Cultural Survival, em colaboração com os 18 jovens participantes.

E se Ailton Krenak está correto ao afirmar que “o Futuro é Ancestral”, é sinal que para os povos indígenas nada apenas finda. Seguimos sempre rumo a um novo ciclo. Na mesma direção vai Nego Bispo, renomado líder quilombola, dizendo: “Há o começo, o fim e, depois, o começo de novo”. Com esperança e entusiasmo, recomeçamos a busca por novos parceiros que possam ajudar a replicar o formato do Juventude Pelo Clima em outras regiões do Brasil e ao redor do mundo. Os fins são parentes dos começos. 

 

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Outro grande defensor das florestas, Chico Mendes, nos lembrava do poder da ação local de impactar o mundo “No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras [...] Agora, percebo que estou lutando pela humanidade”. E assim, com o coração cheio, plantamos sementes de sonhos, de memória e de futuro, celebrando o presente e honrando o passado, tecendo redes de solidariedade, redes de afeto e redes de luta. 
 

Autoria coletiva de: 

Ana Julia Machado, Angagu Lua Kuikuro, Brenda de Alencar, Breno Amajunepá, Cinelândia Souza, Daiane Felipe, Fernando Neves, Keila Câmara, Luano Guerreiro, Lucas Cunha, Maicon Nicacio Rocha, Newiwe Top’Tiro, Railson Kokama Pereira, Rilary Borari, Safira Ribeiro, Vera Ye’pa Mahsã, Rafael Pedroso Moura, Rotokwyi Airomkenti (Juventude Pelo Clima), Ray Pinheiro (IPAM), Carmem Cazaubon, Edson Krenak, Djalma Ramalho Araña Caboclo (Cultural Survival).

Agradecemos também o apoio na primeira fase do programa de Martha Fellows e Paula Carolina (IPAM).

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